TEMPORADA2026OndeTodasasPessoasCabem

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A nona temporada propõe uma releitura ao atual paradigma social que fortaleça a cena artística nas suas diferentes necessidades e vertentes.

Lançamento de Temporada

12 JAN 2026
ESTÚDIOS VICTOR CÓRDON

Sendo verdade que foi em setembro de 2016 que se iniciaram as atividades dos então denominados Estúdios Victor Córdon — Centro Educativo, Comunitário e Criativo da Companhia Nacional de Bailado e do Teatro Nacional de São Carlos, só em 2017 se fixou o formato que deu origem ao conceito e missão que caracterizam os Estúdios Victor Córdon — Plataforma Criativa na atualidade.

Sem retirar valor a esse gesto inicial de 2016, é em 2017 que verdadeiramente se dá o arranque do projeto que agora conhecemos. Por esta razão, em 2026 iniciaremos a comemoração do 10º aniversário dos Estúdios Victor Córdon, mas será em 2027 que atingiremos o seu pleno.

Os tempos desafiam-nos a antecipar e promover posicionamentos que fortaleçam a cena artística nas suas diferentes vertentes e necessidades.

Os tempos também nos desafiam a criar raízes resistentes fundeadas na sociedade real, em contraposição à imagem que se nos afigura, prenúncio da degradação de uma base ética, do respeito e da solidariedade pelo outro — uma imagem cujos traços anunciam já um novo paradigma.

A dança é um organismo vivo, que se pretende poroso e em perfeita interação simbiótica com o ecossistema que vai para além da sua comunidade de criadores e intérpretes; deve, idealmente, respirar na sociedade em constante transformação e responder aos seus estímulos, mergulhando nela e dando resposta às pulsões contraditórias que a caracterizam.

Nesta troca permanente, quebram-se formatos e normas, que apenas servem ao conhecimento como ferramentas para a concepção de novos modos de ver e de criar futuro. É neste gesto fundamental que se pode afirmar o lugar de cada instituição, definindo a sua missão, ou seja: o que se serve e a quem se serve.

Este é o momento para agir ativamente, aproximando pessoas ao mundo das artes, contribuindo para a capacitação e usufruto de todos.

Queremos avançar nesse caminho através de cada programa ou iniciativa, e agir, avivando uma ideia de futuro em permanente reformulação, mas mantendo, ainda assim, uma direção e posicionamento inequívocos.

Depois dos extraordinários resultados alcançados na edição de 2025, o Programa Jovens Compositores volta a envolver as áreas artísticas da Composição, Escrita e Coreografia. Num programa que pretende aprofundar o espírito colaborativo em processos de criação e experimentação, contamos novamente, além da habitual coordenação do compositor Luís Tinoco, com a cocoordenação da libretista e mezzo-soprano Marcia Bellamy, do dramaturgo Stephen Plaice e do coreógrafo Victor Hugo Pontes.

Atravessando todo o ano de 2026, o Programa Em Casa traz-nos Daniel Matos, que connosco irá partilhar um conjunto de iniciativas que caracterizam o seu percurso singular. Na mesma lógica de presença contínua, recebemos a coreógrafa Cláudia Dias enquanto Parceira de Temporada, que connosco irá partilhar várias iniciativas com a Sete Anos — Associação Cultural.

O Foyer dos EVC continuará a ser local de encontro de artistas da dança com uma ligação às artes visuais e fotógrafos com trabalho focado na área da dança. Em fevereiro, recebemos uma exposição de Estelle Valente, no âmbito da sua Residência Artística de Fotografia durante 2025, seguida de “Arte Mágica”, um Ciclo de Exposições com curadoria de Luís Guerra dedicado à arte bruta, em parceria com a Dançando com a Diferença, por ocasião da comemoração do seu 25º aniversário.

Ao longo de todo o ano, continuaremos a ser local de acolhimento de Residências Artísticas de criação na área da dança, assim como para os festivais de dança que nos propõem criadores participantes nas suas programações, através do Programa Em Trânsito. A estas, acrescentam-se ainda as residências artísticas no âmbito do Primeiro Ciclo, Programa dedicado exclusivamente a jovens artistas recém-formados em instituições de ensino superior ou equivalentes.

Continuam as Aulas no Estúdio 1 que constituem as práticas diárias de dança clássica e contemporânea para profissionais da dança, e as aulas de dança clássica para adultos. Adicionalmente damos lugar a duas formações complementares, contando com João Cardoso no Programa Treino EVC em abril, e com Lander Patrick no Programa Kick-Off '26 em setembro.

No Dia Mundial da Dança, voltamos a Bailar o Mundo, consolidando a intenção de sermos um lugar de todas as danças. Abrimos o Estúdio 1 para se dançar ao ritmo de outras culturas neste dia de celebração.

Em junho, chega-nos a 9ª edição do Programa Território, que recebe o coreógrafo Wayne McGregor com a remontagem de “FAR” (excerto), a coreógrafa Liliana Barros com uma nova criação, e o realizador Filipe Faria – vencedor do prémio Território | Estúdios Victor Córdon na categoria de Melhor Realizador Português do InShadow — Lisbon Screendance Festival 2025. Este programa proporciona a jovens bailarinos(as) provenientes de escolas de dança de todo o país uma experiência complementar às suas formações. Enquanto plataforma de lançamento de carreiras, já contou com a participação de cerca de uma centena de participantes, e promove estágios de aperfeiçoamento de carreira em parceria com o Nederlands Dans Theater NDT 2 e a Companhia Nacional de Bailado.

Chegados ao última trimestre, inicia-se o 10º aniversário dos EVC. Marcamos simbolicamente esse momento através do Programa Outros Mundos, que atravessa o final do ano entrando por 2027. Com o início de ensaios em novembro, Sofia Dias & Vítor Roriz serão os criadores de um novo espetáculo que tem como foco o Afeganistão, com estreia no final de janeiro no Teatro Camões em Lisboa, seguido de digressão nacional.

Em outubro, teremos mais Encontros para o Futuro. Nesta 8ª edição, “Fazer falar o fazer”, da autoria de David Marques e Teresa Silva, assume o formato de conferência performativa, com foco na realidade artística de Moçambique em diálogo com Portugal. Por mais uma temporada, contamos com a parceria do Instituto Camões – Centro Cultural Português em Maputo.

No seguimento das ações desenvolvidas de forma contínua e consistente ao longo dos anos, através de vários programas dirigidos à comunidade artística dos PALOP, os Estúdios Victor Córdon e a Fundação Calouste Gulbenkian juntam-se para realizar uma Residência Colaborativa de Criação, com a coordenação e mentoria artística de Marlene Monteiro Freitas. A iniciativa acontece em outubro e pretende promover, junto a programadores e agentes culturais em geral, o trabalho desenvolvido por criadores provenientes dos PALOP, valorizando o trabalho que têm desenvolvido e potenciando a mobilidade no contexto artístico europeu.

Na última parte de 2026, continuamos com o Programa Palavras e Práticas. Na sua 2ª edição, contamos com a presença da coreógrafa Tânia Carvalho, que, durante um dia estruturado com uma componente prática e uma teórica, dará a experimentar aos participantes os seus processos de criação.

Por fim, o Projeto Artista Residente, realizado em parceria com o Plano Nacional das Artes, arranca para uma segunda edição, levando a escolas de ensino público as coreógrafas Joana Franco e Maria Abrantes. No seio da comunidade escolar, as coreógrafas promovem para a vivência dos estudantes o olhar criativo do mundo da dança.

Programa a programa, os Estúdios Victor Córdon têm sido, desde a sua génese, lugar seguro para intérpretes e criadores da cena artística independente, provenientes das mais diversas realidades. As sucessivas programações são a resposta às necessidades que nos foram chegando ao longo do tempo. O desejo criativo dos vários intérpretes e criadores, emergentes ou estabelecidos, a relação contínua com os PALOP e a interação com as práticas de movimento das variadas comunidades culturais residentes em Portugal são a matéria fundamental que dá forma à Temporada de 2026.

Deixo um profundo agradecimento a todos os parceiros que nos têm acompanhado sem reservas e com os seus diferentes contributos. Esta é uma jornada portadora de uma visão integradora e humanista, que em conjunto se torna mais sólida e afetiva; uma conceção que queremos inscrever de forma perpétua neste lugar, onde todas as pessoas cabem.

Rui Lopes Graça

Imagem

© Afonso Martins | EVC 26

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