“Meditar sobre a morte é meditar sobre a liberdade. (...) Nenhum mal atingirá quem na existência compreendeu que a privação de vida não é um mal” — Michel de Montaigne, Ensaios, I, XX
"Numa era em que a morte está ainda mais presente devido à guerra, qual é a nossa relação com ela, nos sentidos psicológico e geográfico? Como nos relacionamos nós com esta realidade individual e colectiva? Qual é a nossa responsabilidade e preparação? É importante cuidar deste tema e educar novas possibilidades de nos relacionarmos com a morte. Há culturas que a celebram, outras em que é um tabu. De uma forma geral, ao longo da história, o ser humano tem vindo a tentar prolongar a sua aproximação do fim. No entanto, a vida tem um limite natural e necessitamos das novas gerações. Qual a possível dança de coexistência entre vivos e mortos e as suas inúmeras crenças?
É inevitável abordar o tema sem falar do tempo e da respiração. A primeira coisa que fazemos quando nascemos é inspirar e a última é expirar. Este será um factor explorado na peça, desenvolvido em conjunto com Winga Khan. De que forma podemos encarar e cuidar deste aspecto fundamental da vida que é o último acto, de maneira a construirmos uma sociedade mais responsável e evoluída? É tempo de cultivar o belo, também no ritual da morte." — Maria Fonseca