Coisa-Ponta — Ana Rita Teodoro & Márcia Lança

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  • Estúdios Victor Córdon
  • 31 August 2026 — 04 September 2026

    09 November 2026 — 13 November 2026

  • In Transit — 2026
  • Info
Ana Rita Teodoro & Márcia Lança em residência nos EVC com a peça "Coisa-Ponta", no âmbito do Alkantara Festival — um dos festivais parceiros dos EVC do programa Em Trânsito.

Uma coisa certa mais uma cuisa errada

Quando éramos pequenas esfolámos os dois joelhos, de joelhos esfolados subimos uma escada muito alta, mais alta que o pinheiro, mais alta que o cipreste. Continuámos a subir, escadas que se transformavam em torres, torres que se transformavam em palácios. Parecia que a primavera nos pregava uma partida. Então decidimos que dali nunca mais mentiríamos, dali para a frente nunca mais seríamos nós. Então caímos de alto a baixo, onde mais baixo não havia e gritámos! Gritámos durante anos um grito velho e bolorento, até que da nossa boca saiu um grilo amigo do grito. Olhámo-lo e perguntamos: quando chega a neve? quando acaba o tempo? quando começam as festas? Ele respondeu: cri cri.

Coisa-Ponta nasce de uma afinidade antiga entre Ana Rita Teodoro e Márcia Lança: quando em 1999, viram, pela primeira vez, arte surrealista juntas. Este evento abriu uma brecha fascinante que as levou a entrar num fazer artístico guiado por um adormecer daquilo que na intenção é de propósito como forma de aceder ao inimaginável. O surrealismo permitiu-lhes também um espaço múltiplo que nenhuma disciplina por si só lhes proporcionava – ser surrealista é Coisa-Séria.

Neste trabalho, procuram colocar a sua afinidade ética e estética em conversa com as técnicas e processos surrealistas. Ativando os seus modos de fazer enquanto estratégia de composição – o cruzamento de matérias, a desativação da ação consciente, o juntar de coisas que, à partida, estariam separadas – Coisa-Ponta cria um espaço díspar onde o sensível e o não-sentido operam como rainhas aleatórias.

Nesta criação propomo-nos pensar e questionar o que significa ser uma mulher surrealista em 2026, e de que forma esse legado continua a ressoar e a transformar as práticas artísticas contemporâneas.

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Violena Ampudia

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